Composição: Guilherme Arantes
Quando eu fui ferido
Há 5 meses eu mudei de casa, não moro mais com meus pais. E nisso me adaptei muito facilmente. Já tenho a impressão de que não saberia viver de outra forma. Tá muito legal! Até aprendi a cozinhar e de vez em quando me surpreendo positivamente com minhas invenções gastronômicas. A vida a dois é muito boa. Quando vc não ta muito a fim de papo, vai pra outro cômodo, pega um livro, um fone de ouvido ou dorme.
Morar em apartamento é massa. Pelo menos no meu. O silencio às vezes reina absoluto e de manhã faz frio. Descobri que sou bem menos organizada do que achava que poderia ser e que um anticoncepcional moderno não te livra dos efeitos colaterais. Aprendi que frutas não duram muito, mesmo que na geladeira e que ser acordada com um abraço é revigorante. Achar a toalha pendurada molhada no trinco da porta não é legal assim como passar as blusas de trabalho do Robertson, mas nada disso tira o brilho de estar bem pertinho de quem você ama. Homens são bem mais frios e o Robertosn é mais ainda. Ele está gostando ainda mais de estar em casa e eu também. Mas isso ainda é pauta nos nossos momentos de DR. Aos domingos é estritamente necessário ir à casa da minha mãe, senão tenho a sensação de que falta alguma coisa. Por outro lado, os fins de semana são muito curtos para eu tentar fazer todas as receitas que li na internet ou limpar a casa de um jeito que fique muuuito limpa. Às vezes dá vontade de fazer nada. O Robertson faz a limpeza do jeito dele a qual considero paliativa.
Nesse período recebemos algumas visitas, mas não todas. Falta também montar a sala. E não é tão fácil quanto parece. Já pesquisamos um bocado, porém ainda falta o insight de como será nosso estilo. O Robertson também mudou no emprego, concomitantemente ao casamento. E por ultimo trabalha um terceiro expediente com projetos particulares, dele e do Felipe. Fomos à casa dos pais dele em julho e também passamos um fim de semana em Guaramiranga. Depois de Gramado, Canela e Cia, Guaramiranga é só uma cidade legal que faz fio à noite. Tem sua beleza, claro. Mas fica muito atrás. Recebi o álbum do casamento, mas nada da filmagem. Tô com medo de perguntar pro fotógrafo e descobrir que deu algum problema sério na minha filmagem.
Mas o fato é que não fui contemplada apenas com mudança de endereço. Mudei também de trabalho (não de empresa). No final de maio meu chefe me consultou sobre a possibilidade de eu ocupar outro cargo. Aceitei tão prontamente que depois fiquei meio arrependida. Mas no fundo eu queria já há algum tempo mudar aquela rotina. Mas com o passar dos dias e na fase de transição em que eu fiquei nos dois ambientes fui percebendo que a rotina gera uma tranqüilidade sem igual. É claro que traz inquietude também, que eu sentia muitas vezes. Mas só ali pude ver que inquietude é facilmente contornável, mas lidar com a insegurança da mudança “radical” é sofrido.
Sofrimento mesmo. Noites muito mal dormidas. Apetite zero. Tremores. Três quilos a menos. Medo. Pavor. Curiosidade. Confrontação. Superação. Traumas. Fantasmas. Ego. Auto estima. Emoção em primeiro plano. Mais medo. Vontade de vencer. Vontade de desistir. Saber o que quero. O que não quero. Vontade de pertencer. Vontade de excluir. Não participar. Ser convidada. Reconhecida. Conhecida. Anonimato. Era o que eu tinha. E o que mais queria naqueles dias.
Agora faço outras atividades e tenho uma rotina infinitamente mais agitada. Acordo cedo todo dia. Tenho horário pra almoçar. Mas pra sair não é tão fácil. Eu realmente achei que me adaptaria melhor às mudanças. Mas o que vi foi uma menina assustada, medrosa mesmo, covarde. Sem saber o que dizer ou pensar. Eu sentia vergonha de não ser diferente. E já nem sabia que identidade carregar. Antes era mais fácil. Lidar com expectativas não é. Hostilidade. No fundo eu queria ser capaz de mostrar uma Patrícia madura, adulta, segura, capaz. Foi e ainda é difícil.
Não há dúvida nenhuma de que tudo isso tem sido importante e está me proporcionando momentos de intenso aprendizado principalmente sobre mim mesma. O autoconhecimento e a atuo aceitação são tão importantes quanto o diploma da pós-graduação. No final das contas é você que está lá. Apenas você com seus anseios. Você.







